sábado, 9 de outubro de 2010
Orçamento de Estado do "Queijo Limiano"
"Devemos deixar percorrer este tempo de debate porque todas as forças políticas vão querer dar o seu contributo para que o Orçamento seja melhor, do seu ponto de vista, do que aquele que o Governo irá apresentar", disse Cavaco Silva, defendendo que, "desse debate, espera-se que resulte uma melhoria do conteúdo do Orçamento e, com certeza, uma melhoria nas medidas apresentadas". Recusando comentar as medidas de austeridade anunciadas pelo Governo, uma vez que, explicou, "o princípio fundamental da actuação do Presidente da República é a isenção e a imparcialidade em relação às forças partidárias", Cavaco insistiu na necessidade de se esperar pelo debate parlamentar. "Lembro um caso, em que o meu antecessor também já não podia dissolver a Assembleia da República, e em que só nos primeiros dias de Novembro o Governo chegou a um entendimento com um deputado para que o Orçamento fosse aprovado", disse o Presidente, referindo-se àquele que ficou conhecido como o "Orçamento do Queijo Limiano", viabilizado pelo então deputado do CDS-PP Daniel Campelo.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Óbidos, A vila-castelo
Ao contrário do que se possa pensar, o nome Óbidos não deriva da parónima óbitos, mas sim do termo latino oppidum, significando «cidadela», «cidade fortificada». Nas suas proximidades ergue-se a povoação romana de Eburobrittium. Terá sido tomada aos Mouros em 1148, e recebido a primeira carta de foral em 1195, sob o reinado de D. Sancho I. Óbidos fez parte do dote de inúmeras rainhas de Portugal, designadamente Urraca de Castela (esposa de D. Afonso II), Rainha Santa Isabel (esposa de D. Dinis), Filipa de Lencastre (esposa de D. João I), Leonor de Aragão (esposa de D. Duarte), Leonor de Portugal (esposa de D. João II), entre outras. Em 1527, viviam 161 habitantes na vila, o que corresponderia a cerca de 1/10 da população do município. A área amuralhada era já nessa época idêntica à actual, ou seja, 14,5 ha. Foi de Óbidos que nasceu o concelho das Caldas da Rainha, anteriormente chamado de Caldas de Óbidos (a mudança do determinativo ficou a dever-se às temporadas que aí passou a rainha D. Leonor). A 16 de Fevereiro de 2007, o castelo da cidade recebeu o diploma de candidata como uma das sete maravilhas de Portugal.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Inauguração da Fundação Champalimaud
O presidente da República esteve presente, esta terça-feira, na inauguração do Centro de Investigação da Fundação Champalimaud, que considerou um «marco importante» para o desenvolvimento da ciência portuguesa. «A entrada em funcionamento deste Centro de Investigação será um marco importante para o desenvolvimento do nosso sistema científico. Muito além disso, será uma enorme fonte de esperança para milhões de pessoas em todo o mundo», afirmou Cavaco Silva. Classificando a infraestrutura como uma «realização absolutamente notável», o chefe de Estado defendeu que o novo centro deve ser um motivo de orgulho para todos os cidadãos. «As doenças malignas e as doenças do sistema nervoso são dois dos grandes flagelos da Humanidade. Portugal, conta a partir de hoje, com um centro que, em conjugação com outros que já possuímos, nos pode situar na vanguarda mundial da investigação biomédica», declarou, sublinhando que o novo Centro de Investigação «será, indubitavelmente, um pólo de captação de talentos vindos de todo o mundo», bem como «um pólo de fixação de investigadores portugueses». «Todas as tarefas que o centro se propõe desempenhar serão, seguramente, cumpridas. Olhando o edifício, mais se reforça a convicção de que está será uma casa de grandes feitos. A imponência da sua arquitectura reflecte bem a força de vontade do seu mentor, António Champalimaud, e o enorme empenho, merecedor da admiração de todos nós, da grande responsável por esta obra, a Dra. Leonor Beleza», destacou.
Cerimónia da Comemoração dos 100 anos da República em Lisboa
Foram algumas centenas de pessoas que hoje quiseram estar esta manhã na Praça do Município em Lisboa onde há cem anos foi proclamada a República. Do ideário republicano faziem parte dois objectivos centrais: a educação e a cultura para todos e a descentralização. Da descentralização falou o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, que a considera como um dos grandes designios da edilidade. Quanto à educação que teve honras da presença da ministra da tutela, foi referenciada tanto por António Costa como pelo primeiro ministro que lembraram as cem escolas que entraram em funções, umas novas outras nem por isso. A cultura ficou-se pelas vontades de quem por ela pugna contra moinhos de vento e dragões lança chamas. A cerimónia muito protocolar e formal foi objecto de uma pequena contestação, aquando do discurso de António Costa, por parte de um grupo não identificado. Talvez alguns descontentes com a situação que tiveram a coragem de a gritar alto e bom som! Ouvimos o Hino Nacional pela voz de um dos melhores sopranos portugueses, Elisabete Matos acompanhada pelo coro das jovens Vozes de Lisboa que a terminar a sua actuação cantou a Maria da Fonte. As celebrações continuam pelo país e nalguns locais pelo mês de Outubro e entrando mesmo por Novembro.
5 de Outubro - O dia da mudança de Regime
A Implantação da República Portuguesa foi o resultado de um golpe de estado organizado pelo Partido Republicano Português que, no dia 5 de outubro de 1910, destituiu a monarquia constitucional e implantou um regime republicano em Portugal. A subjugação do país aos interesses coloniais britânicos, os gastos da família real, o poder da igreja, a instabilidade política e social, o sistema de alternância de dois partidos no poder (os progressistas e os regeneradores), a ditadura de João Franco, a aparente incapacidade de acompanhar a evolução dos tempos e se adaptar à modernidade — tudo contribuiu para um inexorável processo de erosão da monarquia portuguesa do qual os defensores da república, particularmente o Partido Republicano, souberam tirar o melhor proveito. Por contraponto, o partido republicano apresentava-se como o único que tinha um programa capaz de devolver ao país o prestígio perdido e colocar Portugal na senda do progresso. Após a relutância do exército em combater os cerca de dois mil soldados e marinheiros revoltosos entre 3 e 4 de outubro de 1910, a República foi proclamada às 9 horas da manhã do dia seguinte da varanda dos Paços do Concelho de Lisboa. Após a revolução, um governo provisório chefiado por Teófilo Braga dirigiu os destinos do país até à aprovação da Constituição de 1911 que deu início à Primeira República. Entre outras mudanças, com a implantação da república, foram substituídos os símbolos nacionais: o hino nacional e a bandeira. Assim, desejo a todos um excelente feriado.
José Relvas a proclamar a República
Bandeira Repúblicana de Portugal
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
A República a 4 de Outubro de 1910 em Loures
Foi à 100 anos que, para algumas zonas de Portugal, foi implantada a República. O exemplo de uma dessas cidade é Loures. Cidade a arredores de Lisboa, foi a fonte de inspiração para os repúblicanos. Portugal vivia um clima de tensão elevado, já estavam descontentes com a Monarquia Portuguesa. Tinha já havido várias tentativas de implantação, mas sem sucesso. Até que a 1 de Fevereiro de 1908, o Rei D. Carlos e o seu Príncipe Herdeiro, D. Luís Filipe foram assassinado em plena Praça do Comércio (actualmente o Terreiro do Paço), em que alguns monárquicos acusam que o escritor Aquilino Ribeiro foi um dos assassinos. Após o Regicidio, sucedeu á Coroa Portuguesa, D. Manuel II. Até que a 5 de Outubro de 1910, dois anos depois do Regicidio, José Relvas anuncia um futuro novo para Portugal.
Nos dias que hoje se vivem, posso perguntar, será que se Portugal ainda fosse uma Monarquia estavamos melhores ou piores? Esta pergunta deixo-a no ar...
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Setúbal, Uma cidade de pessoas ilustres
Desconhece-se a origem do topónimo 'Setúbal'. O topónimo já existe em 'Cetóbriga' (Cetoba ou Cetobra + designação celta briga para povoação). A exemplo de outras cidades ibéricas e do sul da Europa, o topónimo 'Setúbal' pode estar relacionado com o topónimo do rio que banha a povoação, referido pelo geógrafo árabe Edrisi (Muhammad Al-Idrisi), como denominar-se Xetubre (sendo esta a tese do Prof. José Hermano Saraiva). É da autoria do historiador da época filipina Frei Bernardo de Brito a tese que uma das personagens de Bíblia, Tubal neto de Noé, e também o nome com que aí vem referida uma das nações estrangeiras, identificada na História dos Hebreus de Flávio Josefo com os iberos, teria dado origem à cidade. Seja como for, o topónimo ‘Setúbal’ e a cidade perdem-se no rasto dos tempos.Setúbal nasceu do rio e do mar. Os registos de ocupação humana no território do concelho remontam à pré-história, tendo sido recolhidos, em vários locais, numerosos vestígios desde o Neolítico. Foi visitada por fenícios, gregos e cartagineses, que vinham à Ibéria em procura do sal e do estanho, nomeadamente a Alcácer do Sal, sendo então o rio navegável até esta povoação. Aquando da ocupação romana, Setúbal experimentou um enorme desenvolvimento. Os romanos instalaram na povoação fábricas de salga de peixe e fornos para cerâmica que desenvolveram igualmente. A queda do império romano, as invasões bárbaras, a constante pirataria de cabotagem causaram uma estagnação, senão mesmo desaparecimento da povoação entre os séculos VI e XII. Nomeadamente neste último século, não existem quaisquer registos da povoação, ‘entalada’ entre a Palmela cristã e a Alcácer do Sal árabe.Alcácer do Sal foi conquistada pelos cristãos em 1217, tendo a povoação de Setúbal sido incorporada e passado a beneficiar da protecção da Ordem de Santiago, momento a partir do qual voltou a prosperar. Em Março de 1249, Setúbal recebeu foral, concedido pela Ordem de Santiago, senhora desta região, e subscrito por D. Paio Peres Correia, Mestre da Ordem de Santiago, e por Gonçalo Peres, comendador de Mértola. Durante os vários séculos de apagamento da povoação de Setúbal, Palmela e Alcácer do Sal cresceram em habitantes e importância militar, económica e geográfica, fazendo sucessivas incursões no termo de Setúbal, ocupando-o. Na primeira metade do séc. XIV a povoação de Setúbal, com uma extensão territorial relativamente diminuta, teve de afirmar-se, lutando com os concelhos vizinhos de Palmela e de Alcácer do Sal, já então constituídos, iniciando-se uma contenda entre vizinhos que termina pelo acordo de demarcação de termo próprio em 1343 (reinado de D. Afonso IV), tendo sido construída uma rede de muralhas, que deixam de fora os arrabaldes do Troino e Palhais (bairos antigos). No século que se seguiu, a realeza e a nobreza de então fixaram residência sazonal em Setúbal. A época dos descobrimentos e conquistas em África trouxe a Setúbal um grande desenvolvimento, tendo D. Afonso V e o seu exército, em 1458, partido do porto de Setúbal à conquista de Alcácer Ceguer. Ao longo do século XV, a vila desenvolveu diversas actividades económicas, ligadas sobretudo à indústria naval e ao comércio marítimo, tirando rendimentos elevados com os direitos cobrados pela entrada no porto. É dos finais do século XV, princípios do sec. XVI, período de franco desenvolvimento nacional, que data a construção do Convento de Jesus e da sua Igreja, fundado por Dª. Justa Rodrigues Pereira para albergar a Ordem franciscana feminina de Santa Clara, sendo, muito provavelmente, obra arquitectónica do Mestre Diogo Boitaca, o mesmo que se ocupou do Mosteiro dos Jerónimos. É igualmente no reinado de D. João II (que tinha Setúbal como cidade predilecta) que se iniciou a construção da Praça do Sapal (hoje Praça de Bocage, ex-líbris da cidade), e a construção de um aqueduto, em 1487, que conduzia a água à vila, obras que foram posteriormente terminadas ou ampliadas por D. Manuel I. Este monarca reformou o foral da vila, em 1514, devido ao progresso e aumento demográfico que Setúbal registara ao longo do último século. O título de "notável villa" é concedido, em 1525, por D. João III. Foi este título que proporcionou a criação, em 1553, por carta do arcebispo de Lisboa, D. Fernando, de duas novas freguesias, a de São Sebastião e a da Anunciada, que se juntaram às já existentes de São Julião e de Santa Maria. Em 1580, a vila tomou posição por D. António Prior do Crato, contra a eventual ocupação do trono português por Filipe II de Espanha. Foi então cercada por tropas espanholas do Duque de Alba, sendo esta localidade dois anos depois visitada por Filipe II, o qual deu ordem de construção do Forte de São Filipe (uma obra de Filippo Terzi).No séc. XVII, Setúbal atingiu o seu auge de prosperidade quando o sal assumiu um papel preponderante como moeda de troca e retribuição da ajuda militar ao apoio fornecido pelos estados europeus a Portugal durante e após as guerras da Restauração da Independência. Em resposta a este incremento, foram construídas após 1640 as novas muralhas de Setúbal, que incluíram novas áreas como a do Troino e Palhais. Esta prosperidade foi interrompida com o terramoto de 1755, a que se associaram a fúria do mar e do fogo. Foram grandemente afectadas as freguesias de São Julião e Anunciada. Apenas no Século XIX, Setúbal conheceu o incremento que perdera. Em 1860 chegou o caminho-de-ferro, iniciaram-se também as obras de aterro sobre o rio e a construção da Avenida Luísa Todi. É neste século que teve início a laboração das primeiras fábricas de conservas de sardinha em azeite e, em paralelo, ganharam fama as laranjas e o moscatel de Setúbal. Ainda em 19 de Abril de 1860 foi elevada a cidade por D. Pedro V. O florescimento de Setúbal durante o século XX, reflecte-se na criação de novos espaços urbanísticos: crescimento da Avenida Luísa Todi, parte da Avenida dos Combatentes e criação dos Bairros Salgado, Monarquina, de São Nicolau, da Conceição, Carmona, do Liceu e Montalvão e no desenvolvimento das indústrias das conservas, dos adubos, dos cimentos, da pasta de papel, naval e metalomecânica pesada. Setúbal foi elevada, em 1926, a sede de distrito e, em 1975, a sede de diocese.
Nesta cidade nasceram pessoas ilustres como José Mourinho e Barbosa du Bocage.
Nesta cidade nasceram pessoas ilustres como José Mourinho e Barbosa du Bocage.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






