sábado, 30 de outubro de 2010
Olhão, Uma parte da Ria Formosa
Achados arqueológicos comprovam a presença humana na área do Concelho de Olhão desde o Neolítico. A ocupação romana deixou vestígios importantes em Marim, junto à Ria, onde existia uma importante estação no século IV, sendo a sua vasta necrópole também utilizada durante o domínio visigótico (secs. V a VIII). Em Marim os romanos construíram salinas e implementaram a indústria de pesca e salga de peixe, cujos produtos eram depois exportados para todo o Império (antigos tanques de salga de peixe estão actualmente expostos no Parque Natural da Ria Formosa). Aliás, Marim estará associada à origem de Olhão tanto por ter sido talvez o primeiro talvez ponto de fixação humana na região. Efectivamente, no reinado de D. Diniz, em 1282, iniciou-se a construção da Torre de Marim, cujos restos ainda existem na actual Quinta de Marim, para vigiar a Barra Velha (na época a única entrada do mar para a Ria Formosa na região entre a Fuseta e Faro) e proteger os habitantes dos ataques dos piratas mouros. Esta Quinta foi desde logo uma rica empresa agrícola, atendendo à fartura de água da sua nascente. Em data incerta (provavelmente século XVI e até 1840) instalou-se em Marim uma armação do atum que atraía algumas dezenas de pescadores de Faro, acompanhados pelas famílias, nos meses de Março, Abril e Maio. Certamente alguns destes pescadores, ao verificarem a abundância de peixe da Ria Formosa, decidiram permanecer nas humildes cabanas construídas de madeira, canas e palha, onde hoje se ergue a zona antiga da cidade. Embora exista um primeiro documento datado de 1378 que se refere a um "logo que chamam olham", não é seguro que tenha a ver com o local da actual cidade. O que é seguro é que em 1614 os registos da Paróquia de Quelfes já se referiam aos moradores da Praia de Olhão e, em 1719, já há referências ao Lugar de Olhão. A população foi crescendo e, em 1679, a sua importância justificava a construção da fortaleza de São Lourenço para defesa contra os ataques dos piratas. O primeiro edifício de pedra foi a Igreja da Nossa Senhora da Soledade, construída em data incerta, e o segundo edifício de pedra foi a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, começada em 1698. Só em 1715, porém, é autorizada a primeira habitação em alvenaria. Efectivamente, o poder político em Faro sempre recusou construções de alvenaria em Olhão até esta data. Curiosamente, o Marquês de Pombal, em inquérito efectuado no então Reino do Algarve perguntava pela identificação dos notáveis de cada localidade. Olhão não tinha quaisquer notáveis! Era uma pequena localidade sem aristocracia, apenas constituída por homens do mar, a quem recusavam autonomia administrativa e durante muitos anos, recusavam a construção de uma simples casa de alvenaria! No entanto, Olhão foi-se construindo de uma forma igualitária, livre, e frequentemente à revelia e em rebelião com o Poder político instituído, representado sobretudo pelas duas importantes cidades vizinhas - Faro e Tavira. Em 1765, D. José concede finalmente aos mareantes do Lugar de Olhão (então com 850 fogos) a autorização de se separarem da Confraria do Corpo Santo de Faro, constituindo eles mesmos uma confraria sua, que suportariam às suas custas - o Compromisso Marítimo. Foi durante o cerco de Gibraltar, de 1779 a 1783, e mais tarde o de Cadiz, que os marítimos deste Lugar de Olhão tiveram oportunidade de progredir economicamente, comercializando com grandes lucros os produtos da terra - peixes e derivados - quer com sitiantes quer com sitiados. Mas foram as invasões francesas que deram a oportunidade a Olhão de se afirmar politicamente. Provavelmente devido ao seu espírito igualitário, sem compromissos com quaisquer poderes instituídos, os olhanenses protagonizaram no século XIX a primeira sublevação bem sucedida contra a ocupação francesa (em 16 de Junho de 1808, actualmente o dia da Cidade), que se tornou um rastilho decisivo para a expulsão dos franceses do Algarve (ver revolta de Olhão). Este momento histórico foi determinante para a emancipação de Olhão, porque o rei D. João VI (1767-1826), então refugiado no Brasil, recebeu a boa nova da expulsão dos franceses através de um punhado de olhanenses que se meteram ao mar a bordo do caíque "Bom Sucesso", numa viagem heróica, apenas orientados pelas estrelas, as correntes marítimas e um mapa rudimentar! O rei, reconhecido pela iniciativa da sublevação e pelo heroísmo da viagem marítima, elevou através de alvará o pequeno e desconhecido Lugar de Olhão a vila, em 1808, com o epíteto de Vila de Olhão da Restauração. De 1826 a 1834 os olhanenses lutam encarniçadamente por D. Pedro contra D. Miguel, transformando-se a vila num dos mais fortes baluartes do Liberalismo no sul do País, resistindo a apertados cercos e violentos ataques dos Miguelistas. Em 1842 é criada na vila uma alfândega que, em cerca de 20 anos, se torna o mais importante posto aduaneiro do Algarve devido à pesca e outros produtos algarvios. Por esta razão em 1864 é criada uma Capitania do Porto e, em 1875, o Tribunal Judicial de Olhão. Na última metade do século XIX, a actividade comercial desenvolvida pelos marítimos olhanenses, cresceu imenso, estendendo-se até ao Mediterrâneo Oriental. São conhecidos nesta época contactos com o Mar Negro (em 1871, um caíque capitaneado por António da Silva Guerreiro, foi até Odessa, na Ucrânia, para comprar cereais) e outras paragens como Oram, Nemours, Philippoville, Sardenha. Os contactos com Marrocos e, talvez mesmo com a Grécia, levam muitos olhanenses a construir as suas habitações de modo semelhante, cúbicas e caiadas de branco, o que valeu a Olhão a alcunha de "vila cubista". Na primeira metade do século XX, a instalação da indústria de conservas de peixe, fez de Olhão uma vila rica e extremamente produtiva. A primeira fábrica de conservas surgiu em 1881, fundada pela empresa francesa Delory, e em 1919 já existiam cerca de 80 fábricas. Talvez expressão desse desenvolvimento foi o facto de o Sporting Clube Olhanense ter-se consagrado Campeão Nacional de Futebol em 1924. Infelizmente, na última metade do século XX, a decadência da indústria conserveira e da própria pesca empobreceu a vila que, no entanto, foi elevada a cidade em 1985. Actualmente, Olhão renasce com o mesmo espírito igualitário e de liberdade que a define. Continua a ter na pesca um dos esteios da sua economia, mas começa a lançar-se de forma decidida no turismo de qualidade, com a recente construção do porto de recreio.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
China quer comprar a dívida de Portugal
A eventual compra pela China de dívida portuguesa demonstra que a estratégia de alargamento dos investidores na dívida soberana de Portugal está a resultar e reforça a confiança da China na economia portuguesa, disse hoje o ministério das Finanças. O governo chinês disse hoje estar a ponderar a compra de dívida pública portuguesa, com a vice-ministra dos Negócios Estrangeiros chinesa, Fu Ying, a afirmar ainda que Pequim quer apoiar os países europeus a sair da crise. Fonte oficial do ministério das Finanças português afirmou hoje à agência Lusa que a diversificação da base de investidores em dívida pública "tem sido um elemento central da estratégia do Governo" e que "a confirmar-se, por isso, o interesse de instituições chinesas relativamente à nossa dívida, constata-se que a estratégia do Governo está a ser bem sucedida".
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Cavaco Silva recandidata-se a Belém
“Uma decisão como esta nunca é fácil de tomar. Quis que a minha mulher a partilhasse comigo. Havia razões pessoais a ter em conta, mas também um sentido de responsabilidade”, sustentou Cavaco Silva. “Perante a situação difícil em que Portugal se encontra, perante a angústia e incertezas dos portugueses, concluí que tinha o dever de recandidatar-me. Com a minha experiência e conhecimento penso que ajudarei o país a encontrar um rumo”, acrescentou. Cavaco Silva fez questão de sublinhar que esta será “uma campanha sóbria e contida nas despesas”. “Dei indicação para que a despesa total não ultrapasse metade do que é permitido pela lei em vigor”, adiantou, merecendo efusivos aplausos. “Não colocarei nenhum cartaz exterior”, disse ainda o presidente recandidato, consciente de que a decisão pode ser prejudicial face aos outros candidatos. “Mas quando tantos sacrifícios são pedidos, os políticos devem dar o exemplo”, considerou. Para o final ficaram agradecimentos à sua equipa, nomeadamente o mandatário nacional João Lobo Antunes, que repete as mesmas funções, e o director de campanha Luís Palha (substituto de Alexandre Relvas) e a mandatária para a juventude, Joana Carneiro, ficando a maestrina no lugar ocupado há cinco anos pela fadista Kátia Guerreiro.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
União entre Portugal e Venezuela
Chegou, inesperadamente, ao volante de uma carrinha Mercedes cinzenta de oito lugares aos estaleiros navais de Viana do Castelo, e decidiu assinalar a sua chegada com uma grande buzinadela e um enorme sorriso. Vestido de informalmente, o Presidente da Venezuela deu um fraterno abraço no primeiro-ministro português, cumprimentou o ministro das Obras Públicas, António Mendonça (o que substitui Mário Lino, lembrou José Sócrates), e foi conversar com os trabalhadores dos estaleiros que o aguardavam. E logo ali mostrou-se "muito interessado" na compra do navio Atlântida, encomendado aos estaleiros pelo governo regional dos Açores, mas que viria a ser rejeitado. "Ferry? Disseram-me que é um barco bom, bonito e barato. Se é assim, estamos muito interessados", atirou Chávez, à chegada aos estaleiros, arrancando uma sonora gargalhada. Estava dado o mote para a visita do Presidente venezuelano ao lado do "seu amigo" José Sócrates, a Viana do Castelo, que se saldou pela assinatura de vários contratos entre empresas portuguesas e as autoridades de Caracas, nomeadamente com a empresa JP Sá Couto para a entrega de um milhão de computadores Magalhães e outro com o Grupo Lena com vista à construção de 12.500 habitações sociais e três fábricas. Na área da construção naval, foi assinada a aquisição de dois navios asfalteiros pelo Governo de Caracas, no valor de 130 milhões de euros, que serão construídos em Viana.Acompanhado por uma embaixada de ministros, o Presidente da Venezuela voltou a declarar a sua admiração pelo "maravilhoso" computador Magalhães, ao qual diz fazer publicidade em todo o mundo, tendo revelado que presenteou a primeira-dama da Síria com um no início do ano lectivo. Depois garantiu que dentro de pouco tempo os alunos do primeiro grau do ensino do seu país vão passar a dispor de um computador. "Não é um "regalo"!", disse. "Trata-se de algo que faz parte do seu equipamento", afirmou, considerando que a distribuição de computadores em idade escolar "insere-se num dos princípios mais nobres da revolução socialista bolivariana: a educação, a revolução do pensamento crítico e criado". Agradecendo ao primeiro-ministro por ter potenciado a abertura de relações comerciais entre os dois países, Hugo Chávez elogiou, depois, o "grande contributo de Portugal para o desenvolvimento do mundo" em termos de energias renováveis, considerando mesmo "impressionante" que elas produzam 60 por cento da electricidade nacional. "Este tipo de energia é o futuro. Algum dia há-de acabar o petróleo neste planeta - esperemos que em 3500 -, mas algum dia há-de acabar. Temos de começar a preparar-nos para a era pós-petrolífera", declarou no decorrer de uma visita à fábrica de torres eólicas da Enercom, em Viana. Já Sócrates destacou a importância da visita de Chávez, que constitui "um contributo para e economia e emprego".
domingo, 24 de outubro de 2010
Hugo Chávez em Portugal
O Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, visita hoje Portugal e assinará em Viana do Castelo acordos nas áreas da construção naval e para o fornecimento de 1,5 milhões de computadores Magalhães. Numa cerimónia em que Hugo Chavez estará acompanhado por nove ministros do seu executivo, Portugal recuperará também um anterior compromisso para que o Grupo Lena construa na Venezuela 2500 vivendas pré-fabricadas, um negócio calculado em 682 milhões de euros, e um acordo na área das energias renováveis. Na área da construção naval, sector que atravessa uma conjuntura delicada a nível internacional, a Venezuela assinará um conjunto de acordos com os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), sendo um dos mais emblemáticos o da adaptação do ferry Atlântida para o transporte de passageiros e viaturas - uma encomenda avaliada em 35 milhões de euros. Ainda na área da construção naval, os ENVC vão receber da Venezuela a encomenda para a construção de dois navios de transporte de asfalto, no valor de 130 milhões de euros. «Serão encomendas importantes para assegurar o futuro dos Estaleiros de Viana do Castelo», segundo fonte diplomática. Após a assinatura de acordos em Viana do Castelo - em que José Sócrates estará acompanhado pelo ministro das Obras Públicas, António Mendonça, e pelos secretários de Estado Paulo Campos e Fernando Serrasqueiro -, o chefe de Estado da Venezuela desloca-se ao início da tarde à fábrica dos computadores Magalhães da empresa JP Sá Couto, em Matosinhos. Neste domínio, estão em execução dois contratos para o fornecimento de 850 mil computadores à Venezuela. Durante a visita de Hugo Chávez a Portugal, deverá ser assinado um terceiro contrato para o fornecimento de mais 1,5 milhões de computadores nos próximos três anos
sábado, 23 de outubro de 2010
CDS/PP vai votar contra no OE2011
Paulo Portas, numa conferência de imprensa de cerca de 20 minutos, deixou claro que o CDS-PP vai votar contra o Orçamento do Estado, que considera “desastroso na questão da dívida pública”. O líder dos populares acredita que o Orçamento do Estado vai ser viabilizado na Assembleia da República por PS e PSD: “Sempre me pareceu óbvio que PS e PSD vão viabilizar o Orçamento”. [Os dois partidos] “Acordaram o PEC 1 e a seguir o PEC2”. O líder dos centristas garantiu, por outro lado, que o “CDS-PP nunca foi contactado pelo Governo” sobre o documento, que, no seu entender, “agrava o nível dívida pública portuguesa”. Paulo Portas, na análise “detalhada” que disse ter realizado do Orçamento do Estado, concluiu que o documento agrava endividamento público e que se fosse primeiro-ministro atacaria de frente o problema. Quanto às grandes obras públicas, afirmou Portas que suspendia o TGV e não faria novas parecerias público-privadas. Em relação ao Crescimento económico, “se fosse primeiro-ministro”, Portas “propunha um Orçamento que atendesse às necessidades das finanças públicas, mas que não sacrificasse o crescimento económico”. “Sócrates apresenta-nos um Orçamento que é a factura dolorosa das ilusões e das mentiras que perduram há anos. Um Orçamento que abdicou de ter qualquer política económica. Um Orçamento que pode conduzir Portugal à situação de ser o único país da UE que volta a uma recessão depois de ter saído de outra”, afirmou Paulo Portas. O político exigiria mais poupança ao Estado e afirma que as medidas incluídas no Orçamento são "radicalmente injustas para quem é mais pobre". Por isso, o líder do CDS-PP considera "compreensível a indignação e o sentimento de revolta que percorre a sociedade portuguesa". Paulo Portas deixa ainda duras críticas ao papel que o Executivo tem desempenhado em relação ao BPN, que “à conta dos crimes que lá foram cometidos e da sonolência da supervisão”, recebeu uma grande verba do Estado. "A Caixa Geral de Depósitos está transformada no carro-vassoura que o Governo utiliza para ir tapando os buracos do BPN", acrescentou.
Caldas da Rainha, A cidade termal
Acredita-se que, em 1484, durante uma viagem de Óbidos à Batalha, a rainha D. Leonor, esposa de João II de Portugal, e a sua corte, tenham passado por um local onde várias pessoas do povo se banhavam em águas de odor intenso. Fazendo alto, a rainha indagou-lhes por que razão o faziam, uma vez que, naquele tempo, o banho não era comum, muito menos em águas de odor tão acentuado, sendo-lhe respondido que eram doentes, e que aquelas águas possuíam poderes curativos. A rainha quis comprovar a veracidade da informação e banhou-se também naquelas águas, de vez que também ela era doente (não existe unanimidade entre os autores com relação à natureza do mal: alguns autores afirmam que a rainha padecia de uma úlcera no peito, outros, problemas de pele, e outros ainda, que tinha apenas uma ferida no braço). De qualquer modo, de acordo com a lenda, a soberana curou-se e, no ano seguinte, determinou erguer naquele lugar um hospital termal para atender todos aqueles que nele se quisessem tratar. Para apoiá-lo, a rainha fundou uma pequena povoação com 30 moradores, dando-lhes benefícios como não terem de pagar os seguintes impostos: jugada (antigo tributo que recaía em terras lavradias), oitavos, siza e portagem, privilégios que também se estendiam aos mercadores que viessem de fora para comprar ou vender. O desenvolvimento das Caldas da Rainha iniciou-se com Afonso V de Portugal, que fez reconstruir e ampliar o hospital. Durante treze anos, até ao fim da sua vida, ele, a família real e a corte usufruíram anualmente das águas termais, o que permitiu à vila desenvolver-se. Caldas da Rainha atingiu o estatuto de vila em 1511. Apesar do desenvolvimento e prosperidade que conheceu na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, o Concelho das Caldas da Rainha foi criado apenas em 1821. Foi durante o século XIX que a vila conheceu o seu maior esplendor, com a moda das estâncias termais, passando a ser frequentada pelas classes mais abastadas que aqui buscavam as águas sulfurosas para tratamentos. Complementarmente, a abundância de argila na região, permitiu que se desenvolvessem numerosas fábricas de cerâmica, que converteram a então vila num dos principais centros produtores do país, com destaque para as criações de Rafael Bordalo Pinheiro iniciadas na Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, entre 1884 e 1907. O crescimento demográfico vivido no século XIX prosseguiu no século XX, com a elevação da vila à categoria de cidade em 1927. Ao longo do tempo, outras artes além da cerâmica aqui prosperaram, como a pintura e a escultura, fazendo das Caldas da Rainha um centro de artes plásticas, onde se destacaram nomes como os de José Malhoa, António Duarte e João Fragoso.
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